Alimentos pressionam IPCA e respondem por metade da alta da inflação de maio

Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil desacelerou para 0,58% em maio, após 0,67% em abril, informou o IBGE nesta sexta-feira (12). A taxa é a maior para o mês desde 2021 e superou a previsão de mercado de 0,53%. A informação é da Folha de São Paulo

No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, ante 4,39% até abril. O resultado ultrapassou o teto de 4,5% da meta do Banco Central pela primeira vez desde outubro do ano passado.

A meta orienta a política monetária do BC, que iniciou cortes na Selic em março. A taxa está em 14,5% ao ano, e analistas temem que o ciclo de queda seja interrompido antes do previsto.

O Copom se reúne na próxima semana e anuncia a decisão sobre a Selic na quarta-feira (17). Alimentação e bebidas tiveram a maior alta do mês, de 1,33%, respondendo por metade do índice geral.

A alimentação no domicílio subiu 1,65%, impulsionada por batata-inglesa, tomate, cebola e carnes. O IBGE atribui o movimento à menor oferta e ao aumento do custo dos fretes.

A alta dos combustíveis, ligada à guerra no Irã, pressiona o transporte de cargas. O segundo semestre ainda enfrenta o risco do El Niño, que pode afetar a produção agropecuária.

Economistas elevaram a projeção da inflação de alimentos para 2026 a 7% ou mais. O Boletim Focus aponta IPCA de 5,11% para os 12 meses até dezembro, em alta há 13 semanas seguidas.

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